VI. INSTITUTE ACTIVITIES



6.1. Among the activities of our Institute are the articles (editorial columns) and diagrams published every two weeks in Vida Económica (one of the largest selling Portuguese economic newspapers).


6.2. We includ here the latest four of each: articles and diagrams. As well as other articles on economic freedom.


6.3. Latest four articles:






AS (DIFERENÇAS ENTRE AS) REVOLUÇÕES AMERICANA E FRANCESA


“Consideramos como verdades auto-evidentes que todos os homens são criados iguais e com certos direitos inalienáveis como a vida, liberdade e busca da felicidade,” escreveu T. Jefferson na declaração de independência dos EUA em 1776.

Duas décadas depois em 1789, a declaração dos direitos do homem francesa dizia que “são direitos naturais e imprescindíveis a liberdade, resistência à opressão, opinião, religião e propriedade”.

Aparentemente cópias. Então como explicar as consequências das duas revoluções, em termos de vida humana e económicas fossem tão diferentes?

Deixando de lado a execução de Luís XVI (um monarca que o defensor da revolução americana Edmund Burke definiu como transigente e crescentemente aberto a concessões), a revolução francesa foi um banho de sangue que começou na Bastilha e continuou em Versalhes (100 mortos), Campo de Marte (milhares), Setembro de 1792 (1400 executados), Lyon (centenas de prisioneiros mortos por Fouché à canhoada), etc.

Os historiadores calculam que 20 vezes mais franceses perderam a vida que americanos, desde 17.000 guilhotinados após julgamento, até 40.000 sem qualquer espécie de processo e incluindo centenas de milhares na rebelião da Vendée.

Economicamente a revolução francesa foi também incomparavelmente pior que a americana. Aqui houve inflação seguida de estabilidade. Em França, hiperinflação culminando no colapso total do papel-moeda. Depois, com o controlo total dos preços e salários a economia de mercado desapareceu.

E tudo isto se passou antes das guerras francesas com as potências estrangeiras e apesar de na revolução americana, haver entre 15-25% de leais à coroa britânica, 30-45% neutrais e os independentistas serem consequentemente no máximo 55% (pouco mais de metade).

Como explicar então resultados tão diferentes a partir de princípios e situações semelhantes?

Alexis de Tocqueville (mais conhecido pelo seu livro Democracia na América), responde no seu livro (o Antigo Regime e a Revolução), notando que as declarações de direitos franceses iam um passo além das americanas.

A liberdade religiosa era assegurada desde que não alterasse a ordem pública e a lei. A propriedade inviolável a não ser que o bem geral exigisse diferentemente. A lei? Não era a escrita mas a expressão da vontade comum.

Ou seja: Rousseau e a sua defesa da soberania do povo e da “vontade geral” como bens supremos e perante os quais, quer magistrados, quer legisladores tinham que se curvar. Porque “mais importante que a liberdade é a virtude. E a vontade geral é a virtude em acção”.

Ou seja, os franceses puseram a igualdade acima da liberdade e assim transformar a fraternidade numa carnificina.

Nos EUA, pelo contrário, reinou supremo Voltaire (não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de as dizeres).

Donde (Tocqueville): o cidadão americano é ensinado desde a infância a enfrentar as dificuldades da vida baseado apenas em si próprio e a olhar toda a autoridade com ansiedade e até suspeita.

E assim, enquanto na América a liberdade reina suprema sobre homens práticos, na França intelectuais apropriaram-se da vontade comum em nome da igualdade.

Abrindo o caminho para que a democracia cedesse o seu lugar à oligarquia e esta à tirania. E tudo (sempre) ao som da marselhesa…

Por uma razão simples: enquanto a liberdade não precisa de ninguém para a impor (mas pelo contrário todos para a defender), a igualdade necessita de um homem providencial para a garantir. Leia-se: Robespierre, Estaline ou Mao.

Ontem como hoje.








 DE MAX WEBER A BILL GATES



Até à reforma, a religião cristã derivou para diferenciar devoção e sucesso material. O juro, era desencorajado. Os ricos, vistos com suspeita. E a recompensa só no pós-morte.

Em 1904 Max Weber viajou até St. Louis no Missouri para a feira mundial de artes e ciências, onde ficou maravilhado com as novas tecnologias (do telefone ao cinema) e com o dinamismo da sociedade americana, em geral e muito especialmente ficou impressionado com a intensidade da vida religiosa, com igrejas de variadas denominações protestantes florescendo por todos os lados.

Regressado a Heidelberg, Weber escreveu a sua obra mais famosa (a ética protestante e o espírito do capitalismo) explicando o sucesso material americano e (em menor grau) do norte da Europa, baseado na trilogia de 1) ler, 2) trabalhar e 3) poupar.

Lutero encorajou a tradução da Bíblia para que a sua leitura fosse universal, e defendeu a literacia generalizada. Um efeito lateral desta acumulação de capital humano foi o desenvolvimento científico em várias áreas.

O ascetismo foi trocado pelos resultados do trabalho como um sinal de 1) devoção e 2) de se pertencer aos eleitos, libertando assim a aquisição de riqueza de quaisquer inibições cristãs. Não só nada de errado com ela, como também pura e simplesmente a riqueza passou a ser uma bênção divina.

Certo, que desde sempre os homens trabalharam para viver. Mas agora (alguns) começaram a viver para trabalhar. Porque este era o objectivo de vida. Algo sagrado. Moral. Ético. E assim a ética do trabalho desenvolveu o capitalismo.

Contudo, para a acumulação de riqueza ser um bem, ela deveria servir, não para consumo opulento, individual, mas para a sociedade como um todo, criando empregos através de investimento, o que requeria poupança. Isto é, acumulação de capital (além de literacia e trabalho).

Universidade de Washington. Painel com Warren Buffett e Bill Gates. Porque tem a Microsoft tanto cash no seu balanço?

“Quando começámos a crescer, alguns dos nossos clientes faliram. Por outro lado as minhas responsabilidades para com os empregados aumentaram.

Assim desenvolvi a política conservadora de que quero ter suficiente dinheiro no banco para pagar vários meses de ordenados, se algo acontecer”.

Lembrando o velho ditado de que a conta bancária e o extracto do cartão de crédito são excelentes fontes de informação sobre o temperamento de um homem. E quais são as suas prioridades.

Será, caro leitor, que o mesmo se aplica a uma empresa?








OS TÓXICOS



Entre os mitos de gestão está que existem pessoas de qualidade. E daí muitos gestores de recursos humanos (e presidentes de empresas) andarem à procura de coelhos da Páscoa, topo gigios ou pais natais.

Goethe? O maior poeta da língua alemã. Mas só depois de anos e anos inúteis trabalhando em óptica e filosofia (procurem em qualquer enciclopédia uma simples nota que seja sobre o seu trabalho nestas áreas).

Mourinho? Desde a escola primária, teve problemas com a matemática. Desistiu do curso de gestão. Como futebolista era reserva no Rio Ave.

Jorge Mendes, o maior empresário desportivo do mundo? Até lá chegar foi (falhando sucessivamente como) vendedor… jogador… dono de uma loja de vídeos… DJ… etc.

Coronel Sanders, o fundador do segundo mais valioso franchise do mundo (KFC) com a sua receita secreta (tão bem guardada como as fórmulas da Coca e Pepsi)? Uma vida inicial de falhanço após falhanço como agricultor, advogado, vendedor de seguros, fabricante de lâmpadas, militar, etc. etc.

Em síntese, não há pessoas boas ou más. A questão é boa para quê?

Cada função requer 4/5 coisas muito importantes designadas por factores de sucesso ou critérios não negociáveis, que podem ter a ver com o intelecto (inteligência dedutiva ou indutiva ou lógica ou matemática ou memória ou…); ou com conhecimentos; ou com experiência; ou com skills (saber falar, relações interpessoais, dirigir reuniões, capacidade de síntese, escrita, …); ou com o temperamento (espírito de detalhe versus visão global, organizado ou criativo, prudente ou com iniciativa, gostar de trabalhar sozinho ou em grupo, etc.).

No temperamento ou se é uma coisa ou outra. Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal: ou se é conservador/gosta-se de rotinas, 1/2/3/4(…) ou se tem abertura mental. Ou se é introvertido ou extrovertido. Ou prático ou de detalhe.

E o que é importante depende da função. Um vendedor de bens de consumo tem que ter empatia (a 1ª qualidade, segundo J. Welch), estabilidade emocional, rapidez de raciocínio, gosto pelas relações humanas, saber falar e espírito de iniciativa.

Mas já um analista precisa de raciocínio dedutivo, apreciar trabalhar só e de pensar com profundidade de análise, rigor e saber escrever.

Pelo que 1) ao seleccionar deve-se partir da função para as pessoas e 2) o que é importante varia de função para função. Donde as pessoas são como o capital: valem em função de onde são colocadas (Napoleão).

E só há duas características, que independentemente da função, todos têm que ter. Sob pena de serem tóxicos para os outros e fatais para a empresa.

A primeira é carácter. A segunda ética de trabalho.

A ausência de carácter é (para além do aspecto moral/ético), “bad for business”: 1) desmoraliza, 2) cria resistência passiva, 3) desunião no grupo e 4) empresas com o passo maior que a perna (exemplo: o ex-presidente da Compagnie Générale des Eaux que assinava os e-mails com J6M: Jean-Marie Messier Moi Même Maître du Monde). Além de que (5) os melhores vão-se embora assim que perdem a paciência e possuem alternativas.

Pelo que o carácter no longo prazo é mais importante que qualquer outra característica (H. Maucher, Sr. Nestlé). E a falta dele causa tantos prejuízos como o alcoolismo, reduzindo o desempenho em pelo menos 40% (H. Geneen, ex-presidente da ITT).

A segunda (e única) exigência universal a qualquer candidato, é a ética de trabalho: sentido de responsabilidade, capacidade de trabalho, espírito de entreajuda, etc.. Em Harvard D. Gilbert (fundador da Quicken Loans, dono dos Cleveland Cavaliers da NBA, etc.), disse: “o maior desafio é fazer com que as pessoas prestem constantemente atenção / estejam sempre alerta”.

E continua: “Setenta por cento do sucesso vem da execução, não da ideia. Do processo, não do conteúdo. De todos 1) diariamente, estarem 2) atentos a 3) como melhorar o trabalho. Em todos os detalhes. Continuamente. Donde a importância de nos reunirmos de pessoas que com auto-confiança procuram fazer as coisas bem e contribuir. Em vez de se queixarem e de se verem como vítimas dos outros, sempre cheios de pena de si próprios.

Ter “whiners” (queixosos) numa empresa é como pegar no seu gelado favorito e pôr um bocado de porcaria no cimo. Estraga tudo.”

E já agora, Bob Dylan, recente Prémio Nobel nas suas crónicas: “Detesto pessoas que julgam que os outros são responsáveis pela sua felicidade. Cada um deve construir a sua”.

Uma pergunta caro leitor: isto aplica-se só a departamentos e empresas, ou também a países?








A EVOLUÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA


As línguas vivas atravessam ciclos de mudança, uns mais lentos e outros mais rápidos.

Um exemplo do último é o português que recentemente 1) viu o significado de algumas palavras se alterarem e 2) outras entrarem em desuso.

Entre as primeiras está a palavra solidariedade. Uma palavra que antes era 1) opcional (uma qualidade) e se aplicava aos velhos, doentes ou vítimas de vários tipos de infortúnios. Hoje significa 1) coerção (impostos pela força) para 2) quem não quer trabalhar (p.e. mais de 35 horas), mas quer ter emprego (p.e. em muitas empresas públicas cujos deficits não páram de aumentar pagos pelos nossos impostos).

Ou dinheiro para os países que querem ter “sol na eira e chuva no nabal”: produtos europeus baratos e bons para consumirem, mas em vez de se especializarem em indústrias competitivas, preferem estender a mão a Bruxelas.

Igualdade é outra palavra em grande mutação. Antes significava ausência de privilégios, igualdade de direitos. Agora circula no quotidiano português como sobre-onerar os que trabalham mais, com impostos desiguais para benefício daqueles que optam por trabalhar menos.

Depois, a vitalidade da língua portuguesa é também demonstrada por palavras que pouco a pouco vão caindo em desuso e até desaparecendo.

Uma delas é o dever. Antes esta palavra (de não infringir a liberdade dos outros, de ser competente, do civismo e da confiança), acompanhava sempre a sua irmã gémea: o direito. Hoje esta é filha única criando mistério: se todos têm só direitos, quem tem deveres? Os outros? Mas os outros somos… nós…

Outra palavra que há anos não me lembro de ver utilizada na língua portuguesa é progresso. Por exemplo de aumentar a produtividade. Contudo, uma palavra absolutamente necessária, entre outras por três razões: 1) cada vez menos activos têm que sustentar mais idosos; 2) os custos hospitalares dos últimos anos de vida aumentarem exponencialmente e 3) há 2 biliões de pessoas no mundo que vivem com menos de 2 dólares por dia.

Finalmente há as palavras que crescem no uso popular, p.e. consenso.

Que significa que em 20 pessoas, se uma não estiver de acordo, não se faz e assim consenso traduz-se em todos terem direito de veto e na tirania individual; ou que quando se toma uma decisão, que o vinho foi aguado substituindo a qualidade pela mediocridade e os remédios eficazes por placebos.

Assim se vê que o português é não só a 5ª língua mais falada no mundo, como uma língua em grande mutação.

Sendo que em boa verdade, há, dentro dele, vários dialectos. Há o português do “O Portugal” como dizem os brasileiros e o português falado no Luxemburgo que sendo 22% da população activa têm um rendimento per capita 2,1 vezes o da pátria. E há também o português falado pelos cinco milhões de expatriados, que estejam onde estiverem, estão sempre entre as comunidades estrangeiras mais apreciadas.

Em síntese, o português é uma língua viva e de grande diversidade. Daí a sua riqueza.




6.4. Latest four diagrams:














6.5. Other articles on the subject of economic freedom:



É O CAPITALISMO MORAL


M. Tatcher disse que houve dois sistemas (socialista e capitalista) e dois resultados. E que estes estavam à vista de todos.

Ou seja, o capitalismo, a economia de mercado ganhou por K.O. A questão é se também é OK? Ou se é um sistema eficiente embora inético?

Adam Smith, o apóstolo da economia de mercado (A Riqueza das Nações 1776) acreditava que os empresários eram movidos essencialmente pela ganância e egoísmo. Mas que uma mão invisível (não a vontade declarada dos indivíduos) transformava esses defeitos no bem comum, geral. Ou seja, A. Smith justificava o capitalismo com base na eficiência, mas não moralmente.

Uma crítica que vem aliás de longe. Na tradição greco-romana os comerciantes eram vistos com desprezo. A tradição cristã evoluiu por vezes para ver os ricos com suspeita e condenar o juro como usura. Marx, é claro, criticava o capitalismo como um sistema de exploração do homem pelo homem (sendo que todos vimos que no socialismo era precisamente o… contrário…). Na praia da Europa chamada Portugal e durante o Estado Novo, as grandes cabeças universitárias (e não havia chapéu que lhes coubesse), referiam-se aos empresários como mercadores. Etc.

Daí a pergunta: independentemente da sua eficiência é o capitalismo verdadeiramente inético? Um pecado, nas suas raízes (que por acaso funciona)? Um mal que acaba em bem? Mais uma situação de Deus escrever direito por linhas tortas?

Vejamos. Quando os camionistas se levantam de madrugada para fornecer o pequeno-almoço às cidades, é isso errado? Certo, que eles beneficiam. Bem como as suas famílias. Mas os clientes não?

O mundo é ou não um lugar melhor devido aos Steve Jobs, Zuckerbergs, Bill Gates, Sam Waltons (Wal-Mart), Michael Dells, Jeff Bezos (Amazon), P. Knights e B. Bowermans (Nike) e J. Yangs (Yahoo)?

Certo ainda que alguns deles quiseram fazer dinheiro apenas. E daí? Os lucros são sinais de mais valia, os prejuízos de destruição de valor. Prejuízos não pagam impostos (para a escola das crianças, tratamento dos doentes e reforma dos idosos). E prejuízos não criam empregos. Quer indirectos (fornecedores), quer directos: Microsoft e Dell, 40 mil; Charles Schwab, 30 mil; Waitt/Gateway, 20 mil; etc., etc.

Mas muitos dos empresários são motivados por muito mais que pelo dinheiro. São motivados por fazer a diferença e um mundo melhor. Deixar pegadas. Jeff Bezos abdicou de um salário milionário como banqueiro de investimento para criar a Amazon. Steve Jobs dizia que ia buscar a sua energia diária ao saber que o seu tempo neste mundo era limitado. Alfred Sloan seguia o lema de Drucker: “never mind your happiness, do your duty”.

Donde, o capitalismo/economia de mercado não é perfeito: tem o defeito de criar desigualdade da riqueza, por oposição ao socialismo cuja virtude é criar igualdade da miséria (Churchill). E isto, seja qual for a sua versão, mais ou menos encarniçada/rosa.

Mas o capitalismo é também, além de eficiente, moral, imbuído de uma dimensão ética ao: 1º - protegermos os nossos; 2º - fazer bem aos outros; 3º - permitir a nossa auto-realização (pelos seus frutos os conhecereis – Mateus); e 4º - liberdade.

De facto, a economia de mercado é o único sistema moral. Porque todos os outros restringem os nossos direitos e liberdades (Ayn Rand).




DUAS CRISES, DUAS CAUSAS


Frequentemente perguntam-me pelas causas da crise; e também pelas lições da crise (internacional, é claro).

Ambas as perguntas são erradas. A pergunta correcta é como sair mais forte da crise. E aqui Drucker teria muito a ensinar.

Mas já que perguntam, a resposta às duas primeiras questões é a mesma.

A liberdade económica não é hands off. Tal como na sociedade civil e política só existe liberdade se houver leis. Senão uns usurpam a liberdade dos outros e tem-se, no mínimo libertinagem e no máximo uma selva.

Assim, também na economia sem regulamentação (regras) não há concorrência, isto é, democracia económica, mas sim mercados (cada vez mais) imperfeitos, já que o poder tende a concentrar-se.

Por isso A. Greenspan errou (como ele próprio confessou) ao assumir que o auto-interesse era suficiente para regular os mercados. Não basta. Porque pode haver erros de avaliação (judgement). Estes existem porque as pessoas não são perfeitas. Donde, a solução é regular para assegurar 1) concorrência e 2) transparência.

Entretanto por cá houve outra crise com os doentes que perderam a vista no S. Maria.

Ao fazer zapping deparei com uma entrevista ao bastonário dos médicos que dizia: “estas coisas acontecem”.

Horrorizado e acto continuo, mudei logo de canal.

??

Vejamos. Que acontece todos sabemos: vide S. Maria. Basta abrir a televisão e ler os jornais. O Sr. La Palisse não diria melhor. Mas a questão não é essa. A questão é: primeiro, não devia acontecer. E segundo, se acontecer quem assume as responsabilidades?

Alguém tem de pagar. Por três razões: 1) para (em parte) compensar as vítimas; 2) para se castigar os culpados; e 3) para dar um exemplo claro (a eles e aos outros) para o futuro. Para que não se repita.

Por isso, o preço da liberdade é a responsabilidade individual. Sem esta não há precaução nos actos. Nem reparação dos danos. Logo as pessoas não podem ter liberdade, porque são inimputáveis, e logo têm que ser controladas.

Nas palavras de Drucker: “A liberdade não é divertimento. Felicidade. Segurança. É uma escolha responsável. Mais que um direito é um dever. A liberdade não é a liberdade de algo. Mas sim a liberdade de escolher entre A e B, de fazer ou não. E como tal o maior peso posto nos ombros de alguém: decidir da sua conduta que tem impacto na vida dos outros”.

Moral da história: A causa da crise internacional é um erro de judgement. E da crise portuguesa (que se arrasta há longos anos) um problema de atitude. Portugal só será um país próspero quando houver liberdade económica. E esta requer responsabilidade individual: a qual só pode existir quando não houver bastonários a dizer que “estas coisas acontecem...”


O dr. Pedro Nunes (por quem tenho consideração) que me perdoe. Mas...




CONSTANTINO (IMPERADOR) E O CONTRA-CHOQUE FISCAL


Primeiro: para tentar acabar com o passado recente em que sistematicamente o antigo imperador perdia a vida à mão dos pretorianos e o novo era eleito por estes, Constantino decidiu reforçar o aspecto divino dos imperadores.

Segundo: tal requereu 1) protocolo (os visitantes punham-se agora 3 vezes de joelhos), 2) distância (os mais próximos beijavam a púrpura e entre os outros e o imperador havia uma cortina), e 3) pompa: palácios imensos foram construídos em Milão, Aquileia, Antioquia, Nicomédia, etc. sendo a corte composta de 500 pessoas sempre em constante deslocamento.

Terceiro: para pagar tudo isto Constantino criou (novos) e aumentou (antigos) impostos. Taxou os romanos até à exaustão. Havia um imposto de propriedade e outro sobre o rendimento do solo. Havia um imposto sobre a cabeça (para os artesãos e industriais) e outro para os agricultores. Os artesãos pagavam ainda dois outros impostos.

Outro imposto era ainda o de jubileu (pago nos aniversários do governo) além da obrigação em tempo de guerra da entrega de animais de transporte e trabalho obrigatório. Etc., etc.

Quarto: com a sobre-taxação, esmoreceu o incentivo ao trabalho e floresceu o desânimo. Imperou a resignação e a depressão. Ninguém se esforçava por melhorar a sua posição.

Quinto: a actividade económica decaiu com duas consequências: primeiro, empobrecimento progressivo e segundo menor colecta total que Constantino tentava completar com novos aumentos de taxas. E assim sucessivamente.

Sexto: à medida que as empresas industriais privadas desapareciam, o estado transformava-as em estatais com os operários vinculados à sua profissão hereditariamente.

Sétimo: com o declínio económico adveio a corrupção (as novas fortunas advinham não da indústria ou comércio mas da sagaz exploração de posições de privilégio) e a diminuição da cultura: faltavam os grandes escritores, arquitectos, médicos (ao nível de Galeno ou Sorano), geógrafos, etc.

Oitavo: o clima generalizado era de apatia, mentalidade de funcionalismo e restrição de liberdade.

Conclusão (9º): Quando os historiadores procuram as causas do declínio (e queda) romana, encontram certamente outras causas. Mas o círculo vicioso e pernicioso: impostos – economia, não deve nunca ser esquecido.

Moral da história (10º): impostos baixos não é só liberdade. É também prosperidade. É ambos. E para todos.



BRASIL: O MISTÉRIO


Em pequeno lembro-me de em casa ouvir amigos dizerem aos meus pais que o Brasil é o país do futuro.

Afinal, é o terceiro maior exportador mundial de produtos agrícolas; 2º em minério de ferro; 4º em madeira; 7º em estanho; 9º em petróleo; 13º em ouro; tem um enorme mercado interno que permite economias de escala (6º do mundo, com 200 milhões de pessoas); está inserido no Mercosul, uma zona de livre comércio de 300 milhões de pessoas; e o português é a quinta língua mais falada no mundo.

No entanto, no Brasil o futuro parece… nunca chegar: a previsão de crescimento do PIB para o ano corrente é negativo e após uma onda de entusiasmo em torno da organização do Mundial de Futebol, os Jogos Olímpicos e o Congresso Mundial da Juventude com a presença do Papa Francisco, instalou-se a perplexidade, algum desencanto e muita revolta.

Contudo, os problemas do Brasil não são de agora. De facto, apesar da sua riqueza natural, a taxa de crescimento do PIB per capita tem sido desde 1980 semelhante à média da América do Sul (3,3%) contrastando com o Chile, que tem desde a década de 80 crescido 67% mais (± 6%/ano).

Em consequência o PIB per capita do Brasil é hoje apenas 2/3 o do Chile e muito inferior ao da Argentina, Uruguai, Venezuela e Suriname (!). Como é possível?

A resposta curta para a mediocridade do desempenho do Brasil em comparação com o excelente desempenho do Chile, é a liberdade económica: enquanto o Chile ocupa a 7ª posição no mundo, o Brasil é 122º (num total de 178 países). Consequentemente o Chile é a 36ª economia mais competitiva do mundo enquanto o Brasil é 57º numa lista de 61 países (a Venezuela é o último - fonte IMD).

Em que áreas são maiores as diferenças de liberdade económica entre o Chile e o Brasil?: na liberdade de investimento, gastos do governo e liberdade monetária (controlo da inflação e dos preços).

Em síntese, o caso do Brasil é uma ilustração clara de que, embora a liberdade económica não seja tudo (a educação, etc. também conta), se um país não a tem, então não tem nada.

Sem liberdade, a economia não produz e os recursos naturais, o enorme mercado interno, a língua mundial, etc., tornam-se numa mão cheia de... nada.



NISCAYAH


Em sanscrito significa seguro e de confiança. A velha empresa sueca Securitas Systems, mudou de nome.

A Citi, o maior grupo financeiro do mundo teve um presidente indiano. A General Electric de Jeff Immelt passou grande parte do R&D para a Índia. Os jesuítas estiveram quase, quase a eleger um indiano (de nome Souza!) para superior geral da ordem. A PT? Deslocalizou a contabilidade, facturação e gestão do património. A fundação Champalimaud abriu um centro de investigação. Os bancos (Sabadell, Bancaja) vão atrás dos seus clientes para a Índia. As multinacionais enviam os seus quadros superiores a fazer operações na Índia. Etc. etc.

Enfim, a Índia está na moda. E com razões para isso. Até 1992 cresceu menos que Portugal e o mundo. A partir de 1992 é o 2º país no mundo que mais cresce (depois da China). Em média, muito mais que Portugal (9,1% contra 3,7%) e mais que o mundo: 3,6% (a poder de paridade de compra).

A que se deve este milagre económico indiano? A dois factores. Primeiro, a revolução liberal em 1992. Até então a economia de inspiração socialista apostava num apertado controlo do sector privado, comércio e investimento estrangeiro. A partir de então (e em parte devido ao colapso da URSS grande parceiro comercial), a Índia apostou na privatização e liberalização.

Milton Friedman bem criticou o socialismo indiano como um desperdício de capital e trabalho. Os subsídios, o proteccionismo e os investimentos quer directos, quer indirectos do estado na indústria pesada, resultaram que entre 1947 e 1980 a taxa de crescimento indiana fosse ridicularizada como a “taxa hindu” por oposição à dos tigres asiáticos. Mas hoje, depois da abertura, e mesmo com a crise financeira mundial, a Índia cresce a mais de 7% e a Goldman Sachs prevê que a prazo será a terceira maior economia do mundo.

Como bem salientou Ernani Lopes, a crise não é igualmente global: a Índia e até a China não a sentem tanto como os EUA e a Europa.

Especialmente digno de nota é que (e contrariamente a outros países asiáticos), a subcontratação indiana é de alto (e não baixo) valor acrescentado. Isto é: centros de investigação; hospitais; gestão de património; contabilidade e facturação; e em menor grau, call centers.

E mesmo nestes além das vantagens de menor custo, há também maior motivação. Porque os call centers no ocidente não são funções de prestígio, mas numa sociedade a sair da pobreza, aí sim, são ocupações de prestígio. Além da qualidade técnica indiana, é claro.

E aqui chega-se à segunda causa do milagre económico indiano: a população. Quer a sua formação, nas áreas de matemática, ciências e informática, quer a sua atitude, isto é a predisposição para trabalhar duramente e esforço. Aquilo a que se chama: ética de trabalho.

Contraste-se as causas do milagre económico indiano (liberdade económica; formação; e esforço) com o prevalecente em outros países: quase 500 empresas directa ou indirectamente controladas pelo estado; um ensino onde os professores não têm poder para exigir; os alunos vivem no não te rales; e muitos (apesar da crise) em vez de agradecidos por poderem trabalhar, estão aborrecidos por terem de trabalhar.

Eis uma sugestão: em vez da atitude de tanto faz (que leva ao faz de conta), porque não cada lar português, ter como na Índia, um altar dedicado à deusa Sarasvati? É a deusa do conhecimento e no panteão indiano uma das favoritas.



A VELHA EUROPA


Há hoje duas Europas. E a diferença não é de esquerda/direita. Blair pertence à nova Europa. Chirac à velha.

Certo que continua a haver distinções entre a esquerda e a direita relativamente à protecção social (desemprego, doença, reforma); ambiental; política externa; etc. Mas a grande clivagem entre a nova e a velha Europa, e que é transversal à esquerda e à direita, respeita a outro tipo de valores fundamentais: a responsabilidade individual versus as (des)culpas sociais. O culto do trabalho por oposição ao incentivo do lazer (horário de 35h em França). A liberdade em detrimento da igualdade.

E não se trata de igualdade perante a lei. Mas da igualdade de rendimentos e riqueza. Ora, pessoas livres não são iguais. E pessoas iguais não são livres.

Por detrás desta clivagem está o papel atribuído à 1) propriedade privada, 2) incentivos, 3) médio prazo (versus curto prazo) e 4) Estado.

Para a nova Europa a propriedade privada é o meio mais eficiente de gerir recursos (escassos). O que pertence a alguém é cuidado. O que é de todos, é negligenciado. A nacionalização da agricultura levou à fome. A estatização das fábricas à carência e a produtos sem qualidade.

Há depois a avaliação no médio (para além do curto prazo). Não ser curto de vistas. Em 1990 os EUA aumentaram os impostos sobre bens de luxo: barcos, jóias, etc.. Aumento esperado das receitas fiscais? Mais de 31 milhões de dólares em impostos. Aumento verificado?: 16 milhões (as compras decresceram). Desemprego criado?: 24 milhões em subsídio de desemprego anual.

Aquilo que se incentiva é aquilo que se obtém. E quem tal não reconhece tem como castigo tentar obter 31, obter só 16, pagar 24 para obter esses 16... e ainda por cima pensar que fez bem...

O Estado? Não tem nada para dar a ninguém. Excepto o que retira a alguém. Donde, um Estado só é suficientemente grande para dar tudo, se for também suficientemente poderoso para tirar tudo.

Estes simples factos da vida, ainda não foram compreendidos pela velha Europa seja ela de esquerda ou de direita.

Daí Ségolène Royal ter defendido:
1.º  A eliminação das leis que facilitam o despedimento pelas pequenas empresas (o que diminuiria a contratação inicial e aumentaria o desemprego);
2.º  Sobretaxar os dividendos em relação aos lucros retidos (o que afastaria os investidores);
3.º  O Estado financiar empresas privadas sob determinadas condições...;
4.º Manter as 35 horas de trabalho semanais;
5.º Regulamentar as taxas de juro bancárias;
Etc. Etc. num total de cem pontos, destinados a “defender o modelo social francês contra os perigos da globalização”...

Globalização essa também atacada pela velha direita Europeia. Chirac no seu livro de entrevistas, critica a liberdade de mercado comparando-a ao comunismo (?) e salienta que a globalização tem os dias contados (?...).

Donde a revolta (?) de Chirac contra a hegemonia das multinacionais, especialmente as americanas (mas, quem obriga os consumidores a comprar?) e a defesa dos campeões nacionais (um erro também, mas excepcional, de Sarkozy).

No fundo estas políticas da velha Europa representam a continuação das políticas dos últimos trinta e seis anos. O resultado? PIB europeu per capita 36% inferior ao dos EUA. Tendência (com base na média dos últimos 36 anos)? Divergência, isto é afastamento do nível de vida dos EUA.

Porquê? Inferior (15%) produtividade horária. Menos (10%) de horas trabalhadas. Maior (+4,5%) taxa de desemprego. Etc., etc.

? Razão pois tinha Isaías no Ecclesiastes: “Onde não há visão, as pessoas definham...”.



A REVOLUÇÃO INACABADA


A revolução dos cravos, “foi uma coisa linda, pá”, como diz o poema brasileiro. Flores, fraternidade, liberdade, igualdade, manifestações, direitos, etc.

Só que tudo se resumiu à esfera social (direito à greve, etc.) e política (partidos, etc.)

Mas “esqueceram-se” (?) de completar essas liberdades sociais e políticas com a liberdade económica. Com a concorrência nos mercados. Porquê?

Porque na mente de quem se apropriou de Abril, concorrência é igual a capitalismo selvagem. Quando em boa verdade, selvagens são os monopólios e oligopólios. Com concorrência quem manda é o consumidor, o qual, soberano, escolhe A e pretere B com base no preço, ou/e qualidade, ou/e entrega.

Em síntese, o ódio marxista e neo-marxista à liberdade levou a tolerá-la onde teve que ser após o 25 de Novembro...(na área social e política); mas a limitá-la e restringi-la na área económica.

Substituindo o condicionamento industrial por (quase) 500 empresas em que o estado participa e custam a todos os portugueses um café, dia sim, dia não (tribunal de contas).

E por um estado que representa hoje quase 50% da economia portuguesa, fazendo de Portugal um país semi-comunista; afinal, o que eram os países comunistas se não países de funcionários públicos?

E ainda mantendo uma burocracia, que inverte o ónus da prova e retira o beneficio da dúvida aos agentes económicos eternamente olhados com desconfiança; nas liberdades de investimento, de propriedade, de negócio, comerciais, além dos direitos de propriedade, isto é, no cômputo geral das variáveis que compõem o índice da liberdade económica da Heritage Foundation, Portugal está em 64º lugar no mundo (mais do dobro dos países que existem na UE...).

Na liberdade no mercado de trabalho, Portugal é o pior em termos de flexibilidade das leis de trabalho individuais segundo a OCDE. E de acordo com a Heritage Foundation está em 160º lugar no mundo (para um total de 178 países analisados). Podia ser pior...
De lés a lés, uma série de indústrias têm elevados índexes de concentração (geralmente medida pelo índice de Herfindahl Hirscham): a electricidade; o gás; a banca e (em menor grau) a distribuição. O que naturalmente não indicia nada de auspicioso relativamente aos preços, os quais são superiores quer relativamente a Espanha (na distribuição, p.e.), quer até face à média da UE (segundo o Eurostat): na electricidade e gás domésticos; na gasolina sem chumbo; nas telecomunicações locais, ou internacionais; etc., etc.

Tudo isto a contrapé do que vemos por esse mundo fora.

Quando a Eslováquia fez a revolução da democracia económica, juntando a liberdade económica à política em finais da década de 90, a sua taxa de crescimento subiu para dois dígitos.

Quando a Nova Zelândia trouxe a liberdade à economia (uns anos antes no início da década de 90), a sua taxa de crescimento triplicou.

Quando a Irlanda, fez o mesmo em meados da década 80, passou em menos de duas décadas de um nível de vida semelhante ao de Portugal para quase o dobro actualmente.

Etc.

Quanto a Portugal, como se “esqueceu” do “pequeno pormenor” de garantir a liberdade económica, dos três Ds (democracia, descolonização e desenvolvimento) prometidos em Abril um (pelo menos) continua adiado.

Disse pelo menos? Sim. Porque a concentração de poder económico influencia, como é fatal, a esfera política: donde na transparência Portugal ocupa o 28º lugar no mundo e tem vindo paulatinamente a perder lugares no ranking internacional desde 1995.

Em síntese, a parte da liberdade esquecida (a económica) afecta negativamente quer o progresso económico, quer a área política.

E assim continuará até Abril ser completado juntando à economia o que se conquistou nas áreas sociais e políticas: a liberdade. Até lá, Abril continuará a ser uma revolução incompleta, inacabada.

E como tal parcialmente falhado. Pelo menos, num dos Ds: o do desenvolvimento. Pelo menos.



ALHOS E BUGALHOS


Tal como todo o relógio parado está certo duas vezes ao dia, também os que criticam o capitalismo selvagem (sem nunca descreverem como é o domesticado) e os neo-liberais (sem nunca explicarem como são os sem neo, simplesmente liberais), eis que parecem finalmente estar certos. A crise financeira internacional veio aparentemente dar-lhes razão: afinal Portugal não precisa de mais liberdade económica.

Só que são tontos. E querem fazer dos outros tontos. Ao misturarem alhos com bugalhos.

Os alhos é que de facto é necessária mais regulamentação no sector financeiro. Os bugalhos são que isso nada tem a ver com Portugal, onde é também necessária mais liberdade económica.

Comecemos pelos alhos. Um dos sectores onde ocorreu maior desregulamentação foi o financeiro: ainda não há muito tempo, p.e. era ilegal um banco comercial ter uma seguradora ou fazer banca de investimento. As três actividades estavam separadas, por lei. Depois veio a desregulamentação. E já se sabe como é: quando se começa um processo, o pendulum tende sempre para o extremo oposto.

Depois, o sector financeiro foi dos que mais se transformou nos últimos tempos: com a globalização e novos produtos: swaps, derivados, etc.

Finalmente, o sector financeiro tem um efeito multiplicador ou desmultiplicador como nenhum outro. De bola de neve. De dominó. Diferente das cervejas. Ou cimento. Ou águas. Ou máquinas industriais. Ou, de tudo, em geral. Porque cria dinheiro (multiplicador do crédito). Recebe depósitos. E gere pensões.

Daí ser o sector financeiro um dos que onde há muito tempo se sente a necessidade de maior regulamentação, como aliás este vosso modesto articulista e amigo tem defendido há anos.

Há várias áreas onde isso é necessário. Uma delas, por exemplo é a dos fundos de acções. O Semanário Económico trazia (p.e.) em Junho de 2008 uma entrevista do gestor dos fundos DWS do Deutsche Bank. Título: “Tomar riscos é a chave”. Por debaixo? Um estudo de uma multinacional (Morningstar) concluía que uma enorme percentagem de gestores dos fundos de acções não aposta nos seus próprios (!) produtos e conclui: “O número de gestores que não tem fé nos seus produtos é chocante”. Em casa de ferreiro, espeto de pau? Porquê? Aliás, há pouco tempo um outro gestor, por acaso também do Deutsche Bank, e numa outra entrevista, mostrava extrema confiança e profissionalismo ao dizer que não sabia se a luz que via ao fundo do túnel, não seria de um comboio que vinha em direcção contrária.

É pois claro que em várias áreas do sector financeiro desde os fundos até às hipotecas, desde a publicidade até à securitização e transmissão inter-instituições dos riscos, é necessária não muita, mas boa regulamentação... Tal como dentro de uma empresa é necessário não muitos mas bons controlos.

Estes são os alhos.

Os bugalhos são que Portugal precisa de mais liberdade (democracia) económica. Isto é: mais concorrência e transparência nos mercados.

Leia-se, menos burocracia; menos (dimensão do Estado); menos impostos; menos corrupção; menos mercado negro; menos oligopólios e posições dominantes; melhor justiça; menos regulamentação em geral (desde abrir um restaurante a um supermercado, incluindo o mercado laboral e exceptuando o financeiro); e menor intervenção do Estado na economia.

Em 1995 Portugal era o 38º país economicamente mais livre do mundo. Em 2004 era o 46º. Hoje é o 64º (perdeu 26 lugares em 21 anos). Só entre 2004 e 2016 Portugal passou na liberdade fiscal de 122º para 167º no mundo; no peso do Estado de 137º para 166º; etc., etc. E quanto à liberdade do trabalho Portugal ocupa o 160º lugar (!) entre 178 países. É obra...

Por isso, quem confunda os alhos com os bugalhos diz mais sobre si próprio, do que sobre qualquer outra coisa. E razão tinham os romanos: “Stultorum infinitus est numerus”. Eu traduzo: o número de tontos é infinito.

E depois é claro, há o “pequeno pormenor”: procuram aproveitar-se das imperfeições (graves) do mundo para massajar a sua vaidade: vêem, afinal, aquilo que ando a defender há mais de 30 anos, estava certo. Sou óptimo. Sou bestial.

Mas uma perguntinha: se são óptimos, se são bestiais e se afinal têm razão, então porque é que Portugal está neste estado: consumo de antidepressivos: acima da média europeia; divórcios?: idem; acidentes de automóveis? também... etc. Por favor, expliquem.


ONDE ESTÃO OS LIBERAIS?


Um ex-ministro socialista saiu do governo queixando-se de que em Portugal não há liberais.

Se por um lado é estranho que tal queixa venha de um ex-membro de um governo... socialista, por outro, é bem verdade que o ex-ministro tem razão: em Portugal, não abundam os liberais.

Entre os empresários alguns são herdeiros dos antigos usufrutuários do condicionamento industrial (restrições à concorrência para garantir a viabilidade das empresas existentes). Outros compreensivelmente preferem os “campeões nacionais” em vez do teste diário do mercado. Outros ainda, compensam a míngua de clientes, com a pedinchisse ao estado sob variados pretextos: o país é pequeno (e Malta com 400 mil habitantes que já nos passou?), o 25 de Abril deixou raízes profundas (e o comunismo na Estónia que nos passará), etc. etc.

Tão pouco são liberais os funcionários públicos: 17% da população activa e 2º maior peso salarial na UE-15. Ou, a maioria dos empregados das 500 empresas com dinheiros públicos que por ano perdem o equivalente a um café por dia por português. Só quatro empresas (CP, Metro Porto, Transportes de Lisboa, STCP) perdem o equivalente a 0,5% do PIB.

Quanto ao resto é o que se sabe: no mercado de trabalho, na distribuição, onde os preços são superiores aos espanhóis (Dir. Geral do Comércio e Concorrência), nas universidades públicas, onde os professores privilegiam uma relação próxima com o orçamento (do estado) e distante da concorrência (com outras universidades), etc., etc.

Em resultado, no índice da liberdade económica (da Heritage Foundation), Portugal vem em 64º lugar (e sendo bom de lembrar que na Europa só há 28 países...).

Toda esta situação tem na raiz uma mentira: venderam aos portugueses a ideia de que liberdade económica equivale a monopólios privados. Quando é precisamente o contrário. A liberdade só existe com concorrência, a qual é precisamente o oposto dos monopólios, quer públicos, quer privados. Donde a concorrência está para a economia, como as eleições para a política. Ambas são fundamentais para a liberdade (de escolha).

Sem concorrência os preços são mais altos (do que poderiam ser). Não há metabolismo celular nas empresas. Não há liberdade de escolha de produtos e empregos. E cada um não é estimulado (pelo instinto de sobrevivência) a dar o seu melhor.

E para evitar o “capitalismo selvagem” a solução é acrescentar (com leis) responsabilidade à liberdade: e não matar esta. Não deitar fora o bebé com a água suje.

Quem tem medo da liberdade económica? Quem tem medo de trabalhar. E como estes a evitam? Convencendo os outros que a liberdade económica é coisa má: igual a monopólios, trusts, etc. Assim não há liberdade para ninguém e não corro o risco de ela (liberdade) me apanhar...

Resultado (da ausência de liberdade económica)? Há 23 anos o PIB da Irlanda era + semelhante ao de Portugal. Hoje é quase o dobro. A indústria farmacêutica exportava o mesmo em ambos os países. Hoje a da Irlanda exporta 29 vezes o que Portugal exporta. O Luxemburgo (onde 22% da população empregue é portuguesa)?: tem um PIB per capita duas vezes o português.

E a liberdade económica nestes países é incomparavelmente maior que em Portugal: desde os menores impostos na Irlanda até à maior flexibilidade laboral no Luxemburgo.

Por isso “faz todo o sentido” (?) o comentário de vários votantes nas recentes eleições em Lisboa: este partido nada fez; o outro no passado ainda foi pior; aquele outro não nos protege. Por isso vou votar... no Partido Comunista. Ou no Bloco de Esquerda.

Uma pergunta: quantos portugueses emigram para Cuba? Ou para a Coreia do Norte? Ou gostariam de viver na China no tempo de Mao?

Então os portugueses votam com os pés e fogem de Portugal (2,5% da população activa por ano) para países como a Irlanda, o Luxemburgo, Alemanha, Suíça, EUA, Canadá, Islândia (!) que são todos muito mais liberais que Portugal e nós para melhorar Portugal votamos (e queremos) o oposto?... Por favor, expliquem.


A REPÚBLICA POPULAR DA MADEIRA, CHURCHILL E OBAMA


Quando foi publicada a versão portuguesa do meu livro sobre empreendedorismo dedicado à juventude, senti ser minha obrigação apresenta-lo também na Madeira. Ao fim e ao cabo a Madeira tem uma das maiores taxas europeias de desemprego jovem: 50,5%.

Num anfiteatro cheio, perguntaram-me porque havia nações mais empreendedoras que outras.

“Entre as razões”, respondi, “estão as limitações à iniciativa privada. Por exemplo, em Portugal há distâncias mínimas entre farmácias, escolas de condução e centros de inspecção” (à data existiam e havia normas europeias que as restringiriam e estavam pendentes para entrar em vigor).

Fez-se silêncio… E da audiência retorquiram-me: “na Madeira só há um centro de inspecções em toda a ilha”.

… “bem”, disse eu procurando suavizar, “mas há programas comunitários de apoio ao empreendedorismo…, inclusive aqui na Madeira”… apenas para me contraporem: “no site diz que só está aberto a entidades públicas”…

Programa de empreendedorismo para entidades públicas…???

Fui verificar e eis a situação: entre 4/6/2015 até à data de 24/6/2016 em que pesquisei o assunto (pouco mais de um ano), de 59 programas do Portugal 2020 que abriram para a Madeira, só cinco (9%) estavam de facto abertos a empresas privadas com fins lucrativos, dirigindo-se os restantes 54 (91%) a entidades públicas e a entidades privadas sem fins lucrativos.

Mais: havia três projectos, um deles sobre empreendedorismo, teoricamente abertos a privados com fins lucrativos, mas depois quando se ia ao site, ele dizia explicitamente que só entidades públicas podiam concorrer.

…? O que é isto? Em que país vivemos?

A questão é se é o estado que existe para servir os privados ou os privados é que têm que alimentar o estado?

E se uma região se desenvolve canalizando fundos (europeus, etc.) para o sector público ou para o privado?

Ao fim e ao cabo, o que eram os países comunistas senão países de empresas públicas? E o socialismo senão a mania de nacionalizar tudo que é grande?

Churchill, um dia entrou na casa-de-banho do parlamento e afastou-se do líder trabalhista que lá se encontrava a urinar. “A procurar esconder, é, Winston?”, para logo vir a resposta: “claro, vocês têm a mania de nacionalizar tudo que é grande”.

E de facto há muito boa gente neste mundo que tem duas obsessões: nacionalizar e (se não pode) legislar.

É assim que mais uma guerra (entre tantas outras) agita hoje os Estados Unidos: o Texas e outros dez estados recorreram à Justiça contra o governo Barack Obama devido à sua directiva contra a discriminação das pessoas transexuais.

Eu passo a explicar: estes estados contestam uma circular distribuída a 13 de maio pelo governo Obama ao sistema educacional, segundo a qual o acesso às casas de banho deve ser feito de acordo com o sexo com o qual o aluno se identifica, e não pelo sexo de nascimento.

Esta norma foi publicada pelo governo Obama em resposta a uma lei da Carolina do Norte que obriga as pessoas transgénero a usarem as casas de banho de acordo com o seu sexo de nascimento e que foi considerada discriminatória por lideranças do Partido Democrata.

E daí a diretriz do governo Obama, que não sendo uma lei, serve de advertência às instituições educacionais locais, que correm o risco de perder o subsídio federal se não a aplicarem.

À laia de conclusão, duas perguntas: primeiro, como é que é possível uma situação destas na Madeira? Certo que o seu governo tem políticos de carreira. Mas também tem pessoas que vieram do sector privado, como p.e. o secretário regional da economia, dr. Eduardo Jesus.

E segundo: com esta utilização dos fundos (europeus) porque será que o Reino Unido quis sair da União Europeia? Será que é porque como avisou Margaret Thatcher: querem o seu dinheiro de volta?


DESCOBRINDO O MISTÉRIO DE PORQUE A ESCANDINÁVIA TEM MAIS LIBERDADE ECONÓMICA QUE PORTUGAL


Sempre que se fala da necessidade de liberalizar a economia (para contrabalançar as medidas de austeridade impostas pelo FMI, etc. e para fortalecer o sistema produtivo), há quem venha logo afirmar que não existe tal necessidade e dando como exemplo a Escandinávia. A qual 1) sendo rica, tem contudo 2) um grande Estado e um forte sistema de segurança social, pensões, saúde, etc. E, onde 3) consequentemente não há também liberdade económica.

As duas primeiras afirmações são verdadeiras. Mas a última não é. Na verdade, é precisamente porque a última é falsa que as primeiras são e podem ser verdadeiras; uma vez que nenhum país pode ter uma rede de proteção social alargada, sem uma economia forte: existem algumas qualidades que só os ricos podem ter.

De facto, o coeficiente de correlação entre a liberdade económica e o PIB per capita é de 0.63 (estatisticamente significativa a 0%). Isto é, os países mais ricos do mundo (Austrália, Singapura, Irlanda, Suíça, etc.) são também os economicamente mais livres.

Voltemos à Escandinávia onde, as despesas do Estado em percentagem do PIB são de facto altas: na Finlândia 58,3%, na Dinamarca 55,7%, na Noruega 55,8%, na Suécia 50,4%; e em Portugal 48,3%.

Contudo, apesar disto, todos os países escandinavos são economicamente muito mais livres que Portugal: a Dinamarca está em 12º lugar no mundo, a Finlândia em 24º, a Suécia é 26º e a Noruega 32º contra Portugal que é 64º.

A questão é pois como é que isso pode ser? Como pode um Estado grande coabitar com a liberdade económica?

E a resposta é que tudo depende do comportamento do Estado para com o sector privado. Independentemente do seu tamanho. Comportamento. Primeiro ao promover a concorrência entre empresas privadas. E assim reforçando a liberdade de escolha dos consumidores. Porque esta é a liberdade que conta: das pessoas terem muito por onde escolher; não das empresas poderem fazer o que quiserem.

Na Escandinávia, o Estado não intervém, excepto para aumentar a concorrência. Através de regulamentação e anti-trust. Em Portugal o estado intervém precisamente com o objectivo oposto: para controlar (e diminuir) o nível de concorrência.

Segundo, o estado escandinavo simplifica a vida dos privados. Pouca burocracia. Poucas licenças. Facilita para impulsionar. Não complica pelo prazer de mandar, ou depois poder “vender” simplificações.

Muito diferente de Portugal, onde para abrir um restaurante é preciso obedecer a dezenas de regulamentos e receber várias inspecções, antes e durante a actividade. Para pescar no rio Tejo, em Lisboa, são exigidas três licenças diferentes. E assim sucessivamente.

E assim, por estas razões, não só se pode ter um grande estado e simultaneamente liberdade económica. Como na verdade esta última é indispensável para a protecção social. Sem um sector privado forte não há dinheiro.

Quando os activos são passivos, quem sofre são os inactivos.